De Passagem por Montenegro: Como Descobri um dos Lugares Mais Bonitos da Europa

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Há viagens que planejamos meticulosamente e outras que simplesmente acontecem. Montenegro entrou na minha vida dessa segunda forma, quase por acaso, como uma solução logística para chegar à Croácia. O que eu não imaginava era que esse país dos Bálcãs, ainda pouco explorado pelo turismo de massa, se tornaria um dos meus destinos favoritos na Europa. Tanto que voltei. E voltei de novo. Três vezes, para ser exata, cada uma com um propósito diferente e todas igualmente inesquecíveis.

A Primeira Vez: Quando Montenegro Era Apenas uma Passagem

Aos 26 anos, eu estava na Sérvia participando de um evento de economia com amigos, enquanto meus pais faziam um curso de inglês em Malta. Decidi aproveitar para conhecer a Croácia, mas não havia voo direto e conveniente entre os dois países. A solução mais barata e prática era um ônibus que atravessaria Montenegro. Simples assim, Montenegro entrou no roteiro como uma necessidade, não como um desejo. Mas a vida tem dessas ironias: o que deveria ser apenas uma passagem se transformou na descoberta de um tesouro escondido.

A viagem de ônibus de Podgorica, capital de Montenegro, até a Croácia leva cerca de oito horas. Não é cansativa, mas é burocrática. Montenegro não faz parte da União Europeia, e a Bósnia-Herzegovina tem apenas um pequeno pedaço de litoral, o que significa que você cruza duas fronteiras em sequência: entra na Bósnia, sai dela, e depois entra na Croácia, já em território europeu. Em cada parada, é necessário descer do ônibus, mostrar a bagagem e passar por detectores. Nada de outro mundo, mas é bom estar preparado para essas pausas.

O que torna essa jornada especial, porém, é a paisagem. Conforme o ônibus serpenteia pela costa montenegrina, você passa a circundar a Baía de Kotor, um fiorde natural que leva cerca de uma hora e meia a duas horas para ser contornado. A vista é simplesmente inconfundível, sensacional e impactante. Ali, pela primeira vez, entendi que Montenegro não era apenas uma passagem. Era um destino.

Budva: Jovem, Vibrante e Surpreendentemente Acessível

Decidi ficar dois ou três dias em Budva antes de seguir para Kotor. Budva tem uma aura jovem e moderna, com praias lindas e uma energia contagiante. A cidade velha é charmosa, mas o grande destaque é mesmo o litoral. Há uma pequena ilha com uma fortaleza antiga que vale a visita, e as praias são perfeitas para relaxar e curtir o mar Adriático.

O melhor de Budva? Os preços. Comparada a outros destinos europeus, a cidade é incrivelmente acessível. Na minha segunda viagem, quando voltei com uma amiga em um mochilão econômico, alugamos um apartamento super novo e bem localizado por cerca de 60 reais a diária. As refeições custavam entre 5 e 6 euros, o que permitia comer bem sem pesar no bolso, detalhe, muitas vezes os pratos davam pra 2 pessoas. Budva é o tipo de lugar onde você pode esticar o orçamento sem culpa e ainda assim aproveitar tudo o que a cidade tem a oferecer. Em relação a Budva e a gastronomia, lembro de ter comido uma carne vermelha que foi uma dos melhores sabores da Europa. 

Kotor: Os Fiordes do Sul da Europa

Se Budva é vibrante e acessível, Kotor é majestosa e inesquecível. A cidade é patrimônio mundial da UNESCO, e não é difícil entender o porquê. Cercada por montanhas imponentes e abraçada pela baía que lembra os fiordes escandinavos, Kotor é um daqueles lugares que te fazem parar, respirar fundo e sentir a grandiosidade da natureza. É a mesma sensação que tive nos fiordes da Noruega: a de me sentir pequena, insignificante, uma migalha diante da imensidão do mundo. E é exatamente essa sensação que busco em cada viagem.

A cidade medieval é extraordinariamente bem preservada. Caminhar por suas ruelas estreitas, jantar em restaurantes escondidos entre muros de pedra centenários e observar o vai e vem dos barcos na baía é uma experiência que pede calma e contemplação. Kotor não é para ser apressada. É para ser degustada, admirada, sentida.

Não subi as 1.350 escadarias até a Fortaleza de São João, confesso. Mas sei que quem sobe, seja de teleférico ou enfrentando os degraus, é recompensado com uma vista espetacular. Lá em cima, além do panorama, há até um trenzinho tipo montanha-russa que, dizem, vale a pena. Fica a dica para os mais aventureiros.

O que eu fiz foi um passeio de barco pela baía, que nos buscou diretamente no píer do hotel. Navegar por aquelas águas calmas, cercada por montanhas e vilarejos pitorescos, foi mágico. E o momento mais emocionante? Ver uma tartaruga nadando ali pertinho, em pleno contato com a natureza, apesar da quantidade de barcos que circulam pela baía. Foi um daqueles instantes que ficam gravados para sempre.

Três Viagens, Três Propósitos

Voltei a Montenegro mais duas vezes depois daquela primeira passagem. A segunda vez foi aos 27 anos, em um mochilão com uma amiga, focado em economia e aventura. Ficamos em Budva, aproveitamos as praias, comemos bem e gastamos pouco. Foi uma viagem de liberdade e descobertas.

A terceira vez foi aos 29 anos, já com minha esposa. O objetivo era completamente diferente: aproveitar o lugar com calma, investir em uma hospedagem especial e nos presentear com experiências. Ficamos em um hotel em Kotor que, no Brasil, facilmente custaria mais de 2 mil reais a diária, mas lá pagamos cerca de 150 euros. O hotel tinha praia privada, sauna, piscina e todo o conforto que merecíamos. Jantamos na cidade medieval, experimentamos frutos do mar fresquíssimos (a gastronomia local é fortíssima nisso) e nos permitimos viver Montenegro em sua plenitude.

Cada viagem teve seu propósito, sua intensidade e sua beleza. E todas me confirmaram a mesma coisa: Montenegro encanta. Sempre.

Montenegro vs. Croácia: O Equilíbrio Perfeito

Uma das perguntas que sempre me fazem é: vale a pena combinar Montenegro e Croácia? Minha resposta é um sonoro sim. Os dois países se complementam perfeitamente. A Croácia é mais estruturada, mais turística e, consequentemente, mais cara, especialmente depois de entrar na zona do euro. Montenegro, por outro lado, ainda está sendo descoberto pelos europeus, assim como a Albânia. É mais barato, mais autêntico e igualmente deslumbrante.

Fazer os dois em uma única viagem é uma forma inteligente de equilibrar beleza e orçamento. E se você tiver tempo, inclua também a Bósnia-Herzegovina. Eu passei por Mostar de ônibus e consegui ver a famosa ponte pela janela. Foi o suficiente para despertar uma vontade enorme de voltar e explorar o país com calma.

Dicas Práticas para Quem Vai

Se você está planejando ir para Montenegro, aqui vão algumas dicas que aprendi nas três vezes que estive lá:

Melhor época

Primavera e verão são ideais. Dá para nadar, aproveitar as praias e curtir o clima agradável. A diferença de preços entre as estações não é tão significativa quanto a diferença entre os locais escolhidos. Budva é mais barata, Kotor é mais cara, mas ambas valem cada centavo.

Transporte

O transporte público é limitado, especialmente ao redor da baía, já que há apenas uma via principal. Vale a pena se locomover de barco para passeios. Se você quer mais liberdade, considere alugar um carro, mas saiba que o trajeto é longo e sinuoso.

Valores

Em Budva, uma diária em apartamento pode sair por 60 reais, e refeições custam entre 5 e 6 euros. Em Kotor, hotéis mais sofisticados ficam em torno de 150 euros a diária, e refeições variam entre 10 e 15 euros, dependendo do local.

Dica de ouro

Deguste Montenegro com calma. É o tipo de lugar para ficar admirando, parando, olhando o tempo passar com o vai e vem dos barcos. A história local é sensacional e vale muito a pena conhecer.

Por Que Voltar Três Vezes?

Montenegro me fez voltar porque é um daqueles lugares que se adaptam ao que você precisa. Quer economia e aventura? Budva te recebe de braços abertos. Quer romance e sofisticação? Kotor te oferece isso com maestria. Quer natureza avassaladora e aquela sensação de estar diante de algo maior que você? A Baía de Kotor entrega sem pestanejar.

Voltaria mais mil vezes? Sem dúvida. E se você está em dúvida entre Croácia e Montenegro, minha sugestão é: não escolha. Faça os dois. Combine paisagens deslumbrantes, história rica e um equilíbrio perfeito entre preços e experiências. Montenegro é um daqueles destinos que ainda estão sendo descobertos, e há algo de especial em chegar antes das multidões.

Se você quer viver essa experiência com o planejamento certo, alinhando expectativas, orçamento e a melhor época para cada objetivo, uma consultoria de viagem pode transformar sua ida a Montenegro em algo ainda mais memorável. Afinal, como aprendi, cada viagem tem seu propósito, e quando ele está bem definido, a experiência se torna inesquecível.

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